ESTILOS DE APRENDIZAGEM
PARECE COMPLICADO, MAS NÃO É!
Professores,
Sabemos o quão gratificante é a nossa profissão e também o quanto precisamos estar qualificados e sempre inovando e aplicando novas estratégias ao educar.
Portanto, vamos falar sobre um tema que gosto muito e que tem ajudado muitos professores a entender melhor os seus alunos, bem como a entender melhor a sua maneira de oferecer e planejar aulas muito mais satisfatória, dinâmica e realizadora.
Uma oficina que aplico do tema “Estilos de Aprendizagem” tem dado bons resultados e com ela alguns professores passaram a entender melhor os seus alunos. Com um novo olhar e com ações diferenciadas sobre os estilos de aprendizagem, o professor diversifica com sucesso suas atividades e atinge com mais facilidade seus objetivos.
Ouvi diversas vezes, ao final das oficinas, professores com mais de 17 anos de magistério, dizendo que suas aulas eram preparadas somente para alunos individuais e raras vezes para os visuais, e assim, desconhecendo os outros estilos (tátil, sinestésico, grupal e auditivo), não aplicavam aulas dirigidas a todos os alunos. Também conheci professores que haviam recentemente assumido a educação básica e nunca tiveram contato com o tema.
Entendo que aplicar atividades somente para cumprir conteúdos e regras escolares, não garante a aprendizagem, além de transformar a experiência do aluno em algo rotineiro e desmotivador.
Entender que o aluno possui uma maneira de aprender “Principal” faz com que às vivências e atividades em sala de aula sejam muito mais contextualizadas, assertivas e direcionadas.
Fazemos parte de um mundo globalizado, e desde cedo, a pequena criança, após o seu nascimento já demonstra interesse e tenta compreender o mundo que o cerca. Várias ações podem ajudá-la a criar a sua própria visão de mundo e isso não pode ser ignorado pelo professor.
Então, por que não buscar novas teorias ou alternativas que facilitam o processo de aprendizagem?
Piaget e Vigotsky afirmam que o Conhecimento é uma construção que parte dos conhecimentos prévios, certo? Portanto, se o professor consegue entender que os alunos aprendem através de diferentes tipos de experiências, ele consegue oferecer didáticas de resolver ou entender problemas, explorando os diferentes estilos através dos estilos como o sinestésico, visual, auditivo, tátil, individual ou grupal.
Se existe, por que não utilizar esta forma de ensinar? Pode parecer complicado, mas não é.
Preferências Perceptuais em Estilos de Aprendizagem ou formas diferentes de como os alunos aprendem (Reid, 1987) tem sido de grande interesse na área de educação.
A teoria “Estilos de aprendizagem” surgiu na década de 70 e vem ganhando grande espaço nos últimos anos.
Sabemos então, que os alunos aprendem de maneiras diferentes, sejam com seus olhos ou com seus ouvidos, de forma sinestésica, outros preferem aprender pela experiência tátil, “com a mão na massa”, e outros aprendem melhor quando trabalham sozinhas ou em grupos. E o olhar do professor é importantíssimo nesse contexto.
Existe um questionário, descrito no livro “Preferências Perceptuais em Estilos de Aprendizagem” – Joy Reid, que foi desenvolvido para ajudar a identificar a(s) maneira(s) pelas quais o aluno aprende melhor – que prefere aprender.
Após a soma dos resultados, os estilos são classificados como principais, menores e indiferentes.
O professor, ao identificar os estilos em seus alunos, poderá preparar aulas e promover uma incrível didática, com uma variedade de materiais, ferramentas e recursos para apresentar os conceitos que serão aplicados. Assim, durante o ano letivo, vai atingindo cada vez mais, estilos, objetivos e alunos felizes.
A forma de aprendizado ajuda a determinar que certos métodos de ensino sejam mais efetivos que outros, e para Felder e Silverman (1988), os estilos descrevem características fortes de como as pessoas recebem e processam informações.
Exemplificando: numa única sala de aula, alguns alunos respondem preferencialmente as informações ao estilo “Individual” (aprendem quando trabalham sozinhos) e alguns alunos possuem como principal estilo o “Sinestésico” (aprendem melhor pela experiência, envolvendo-se fisicamente nos experimentos de sala de aula), portanto, esta aula necessita de estratégias diversas, atendendo assim os dois (ou mais, se for o caso) estilos de aprendizagem. Mesmo conteúdo, mesmo objetivo e com um plano de aula (estratégia) diferente para atender os estilos da sala! Isso é riquíssimo para o desenvolvimento cognitivo, que equivale à forma que a cognição evolui.
Nesta assessoria, após o conhecimento teórico do tema, realizo uma discussão entre grupos de professores e seus estilos X os estilos de aprendizagem e suas atividades diárias. Com uma dinâmica e informações e ideias de aulas coerentes, voltadas aos estilos, assim, proporcionando entendimento a todos.
A dica de hoje, quando colocada em prática, oferece resultados surpreendentes à tríade “professor/aluno/conhecimento”. Essas ações necessitam estar ativas nas escolas, onde o professor mediador proporciona o seu melhor, intervindo de forma significativa, eliminando métodos e ações tradicionais onde os alunos são vítimas de estratégias ruins e sem significância na aprendizagem e de um sistema carente e atolado de profissionais na zona de conforto.
Trabalhar com os estilos em sala de aula, o professor precisará adotar uma postura inovadora, repensar suas ações e encontrar estratégias eficientes em suas aulas e, por consequência o seu aluno avançará no processo educativo. Será preciso olhar para os novos desafios da Educação e adaptar, mudar, reinventar, desafiar e inovar!
Fica a dica: Estilos de Aprendizagem!
Seguem as explicações das preferências principais em estilos de aprendizagem e descrição das características do aluno.
Preferência principal Visual em estilos de aprendizagem: aprende melhor vendo as palavras em livros, no quadro, e em livros de exercícios. Se lembra e compreende informações e instruções melhor se as ler. Não precisa de tanta explicação oral como um aprendiz auditivo, e consegue muitas vezes aprender sozinha com o livro. Deve tomar notas de aulas expositivas, palestras e instruções orais, se quiser se lembrar das informações.
Preferência principal Auditiva em estilos de aprendizagem: aprende ouvindo as palavras faladas e através de explicações orais. Pode se lembrar de informações lendo-as em voz alta, ou movendo seus lábios enquanto lê, especialmente quando está estudando matéria nova. Se beneficia de ouvir gravações, palestras, e discussões em classe. Também se beneficia de produzir gravações para ouvi-las depois, de ensinar para os colegas, e de conversar com a professora.
Preferência principal Sinestésica em estilos de aprendizagem: aprende melhor pela experiência, envolvendo-se fisicamente nos experimentos de sala de aula. Se lembra bem de informações quando participa ativamente de atividades, aulas de campo, e de dramatizações durante a aula. Combinações de estímulos – por exemplo, uma gravação em áudio juntamente com uma atividade – ajudarão você a compreender matéria nova.
Preferência principal Tátil em estilos de aprendizagem: aprende melhor quando tem a oportunidade de participar experiências nas quais “põe as mãos” nos materiais. Ou seja, fazer experiências num laboratório, manusear e construir modelos, tocar e trabalhar com materiais lhe fornecem as situações de aprendizagem em que é mais bem-sucedida. Fazer anotações ou escrever instruções pode ajudar a se lembrar de informações, e o envolvimento físico nas atividades escolares pode ajudá-la a compreender matéria nova.
Preferência principal Grupal em estilos de aprendizagem: aprende mais facilmente quando estuda com pelo menos mais uma aluna, esse rá mais bem-sucedida nos exercícios quando trabalhar com outros. Valoriza a integração com o grupo e o trabalho em aula com as colegas, e se lembra melhor das informações quando trabalha com duas ou três colegas. O estímulo que você recebe do trabalho em grupo a ajuda a aprender e compreender novas informações.
Preferência principal Individual em estilos de aprendizagem: aprende melhor quando trabalha sozinha. Pensa melhor quando estuda sozinha, e se lembra das informações que aprende sozinha. Entende melhor a matéria quando aprende sozinha, e progride mais na aprendizagem quando trabalha sozinha.
Estilos de aprendizagem menores. Na maioria dos casos, os estilos de aprendizagem chamados menores indicam áreas em que você pode operar bem como aprendiz. Geralmente, um aprendiz muito bem – sucedido consegue aprender de várias maneiras diferentes e, portanto, talvez você queira experimentar formas de praticar e aperfeiçoar seus estilos de aprendizagem menores.
Estilos de aprendizagem indiferentes. Com frequência, um escore indiferente indica que você pode ter dificuldade em aprender daquela maneira. Uma solução pode ser direcionar sua aprendizagem aos seus estilos mais dominantes. Outra solução pode ser tentar desenvolver algumas das habilidades que podem aperfeiçoar seu(s) estilo(s) de aprendizagem em áreas indiferentes.
– A explicação dos estilos de aprendizagem foi adaptada do Instrumento de Estilos de Aprendizagem C.I.T.E., do Centro de Ensino Murdoch, Wichita, Kansas 67208.
– MAZUROSKI Jr., A.; AMATO, L. J. D.; JASINSKI, L.; SAITO, M. Variação nos estilos de aprendizagem: investigando as diferenças individuais na sala de aula . ReVEL . Vol. 6, n. 11, agosto de 2008. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br].
Profª Maria Cristina Tófoli
Coordenadora Pedagógica da Little Giants